
Respirava fundo esperando que o amanhã trouxesse o agradável
E vinha o amanha mais nunca o agradável
perdida em um tempo sem distância ou ponteiros
uma vitima da própria demência e querer sempre o impossível, o inalcançável
Eu sou avussa, enigmática
Conservo-me nem por fora e muito menos por dentro
Sou construída de vazios
Cansei da vida social agitada, dos bares, becos imundos onde costumava frequentar
Sou de urgências de entregas, de impulsos, de agora ou nunca
Me entrego no que acredito, e o que desacredito simplesmente me esqueço
Julgo-me desinteressada, tanto para meus desgastes quanto para minhas alegrias
Não ofereço abrigo aos que me chegam de inesperado, muito menos os que se foram e tentam voltar com suas caras mal lavadas
Não sei de datas, não atendo telefonemas, o desinteresse me devora por completa
Quero me zerar, me anular do mundo
Livrai-me dos minúsculos da vida
E suas ridículas iguarias
Livrai-me das doses exageradas de esperança que me envenena e me mata aos poucos
Mais que morrer, desejo viver
Viver intensamente todos os dias de minha vida
A partir de hoje não serei o minúsculo ser desprezível e incapaz
A partir de agora serei só começos.
By: Inayara T
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